Registro do hoje | Entre possibilidades e a necessidade de escolher
O agora entre a dúvida e a urgência
Tenho uma formação e atuei por muitos anos nela. Foi um caminho importante, que me ensinou muito, mas não foi o único. Ao longo da minha jornada, fiz muitas outras coisas. Sempre que algo desperta meu interesse, eu me dedico de verdade e aprendo rápido. Isso, por muito tempo,
foi uma qualidade que me orgulhava. Hoje, às vezes, sinto que também é o que me confunde.
Quando se aprende rápido e se interessa por muitas áreas, os caminhos se multiplicam.
E, em vez de clareza, vem a dúvida. Fico me perguntando qual direção seguir, como se existisse uma escolha certa que eu ainda não consegui enxergar. Em alguns momentos, sinto que estou preparada para qualquer coisa. Em outros, parece que não sei por onde começar.
Quando a dificuldade aparece, tudo fica mais intenso. A urgência toma espaço, o medo cresce
e vem um desespero silencioso de precisar decidir logo. A cabeça não para, as perguntas
se acumulam e o peso da responsabilidade fica maior. Não é só sobre sucesso, é sobre segurança, sobre não errar, sobre não desperdiçar tempo nem energia.
Eu quero avançar, quero construir algo mais estável, algo que faça sentido. Já me movi para isso,
já tentei caminhos diferentes, já comecei de novo mais de uma vez. Ainda assim, tem momentos em que me sinto perdida, como se estivesse sempre escolhendo enquanto o tempo corre.
Talvez eu esteja exigindo demais de mim. Talvez nem tudo precise ser definitivo agora. O que sei
é que existe esforço, existe vontade e existe uma busca real por um caminho que não seja apenas possível, mas verdadeiro.
Escrevo isso para organizar o que sinto, mas também para lembrar que não estou sozinha nessa sensação. Sei que muita gente vive esse mesmo lugar entre capacidade e dúvida, entre possibilidades e medo. Hoje, esse é o meu agora. E, por enquanto, sigo a partir dele.
Obrigada por ficar até aqui. Às vezes, só dividir o que pesa já é uma forma de continuar.
Este Diário não carrega nomes.
A escolha de não identificar quem escreve não é ausência é intenção.
Aqui, as palavras não pertencem a uma pessoa específica, mas a estados, sentimentos e atravessamentos que muitos vivem, ainda que em silêncio.
Para quem busca apoio para atravessar esse momento com mais presença, há um guia de autocuidado criado por colunistas do Guia de Vida e um programa de meditação guiado por Silvia Moraes.









